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Qual é o seu público?

Por Chico Barbosa

Na minha experiência como editor e escritor, o processo que desencadeia a produção de livros institucionais — grosso modo, aquelas obras que contam a história de uma empresa ou a biografia de seus fundadores ou profissionais de destaque — se dá de duas maneiras: ou eu ofereço um projeto, baseado na minha experiência e na pesquisa que fiz sobre os envolvidos, ou eu sou procurado por essas companhias e seus colaboradores, querendo saber como se dá a elaboração desses títulos. 

O melhor dos mundos é quando essa abordagem inicial se desdobra em um convite para tomar um café, dando início a uma conversa mais detalhada sobre o assunto. Antes de falar sobre estrutura editorial, formas de narrativas, utilização de fotografia, formatos e tipos de papeis, tiragem e distribuição, a minha pergunta clássica é esta: a qual público esse futuro livro se destina? Porque é a partir dessa singela informação que iremos definir todas as outras questões envolvendo a feitura do produto.

Parece — e é —uma pergunta simples, mas, acredite, nem sempre o interlocutor tem essa resposta na ponta da língua. Pensa-se em patrocinar um livro, mas não se tem ideia de qual é o perfil do leitor que se quer atingir e onde ele está: na empresa, na rua, na faculdade, escondido? O ideal é que a obra desperte o interesse dos mais diferentes perfis de pessoas, mas, em se tratando do mercado editorial, não é bem assim. Tal qual um cardápio, cada prato atinge um tipo de cliente.

Portanto, é preciso distinguir bem com quem você quer “conversar”, sob pena do “ouvinte” não te dar atenção ou não fazer a menor ideia do tema abordado. Ou, citando o filósofo romano Sêneca (4 a. C. – 65): “Não existe vento favorável a quem não sabe onde deseja ir”.

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