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Por dentro do coffee table book

Por Chico Barbosa

Pegando carona no post O livro espetáculo, se é fato que os coffee table books estão nos mais diversos ambientes sociais, o que essas obras têm de especial que explica o seu sucesso de público e, quando bem produzidos, de crítica?

A característica mais evidente, claro, é a aparência. São títulos que primam pela beleza, pelo acabamento artístico, luxuoso e criativo. Concebidos em tamanho fora do padrão, seus formatos possibilitam a exploração de imagens impactantes.

Livros primam pelo acabamento artístico e luxuoso

 

O texto está presente, mas é curto, idealmente em formato de contos e crônicas, convidando à leitura. Nada de hermetismos, densidade, tecnicismos, rebuscamentos. A escrita deve fazer um bate-bola fluido com as fotografias.

Textos enxutos, inspirados em formatos de crônicas e contos, convidativos à leitura

Por fim, o assunto deve ser de interesse de uma parcela de público ampla — lembremos que esses livros vão ficar à disposição de um leitor que irá consultá-lo em uma situação de espera em uma sala, uma recepção, uma área social . Por mais que o tema seja específico, sua abordagem deve chamar a atenção de quem se deparou com a obra de forma casual. Em uma frase: título e conceito de capa devem ser midiáticos. Mas esse é um assunto para ser estendido em um próximo post.

Títulos de interesse do grande público e da mídia

* As imagens que ilustram este post são do livro “A chave do sucesso – Como a Audi se tornou cult”, escrito por mim e editado pela CBNEWS. A obra, que conta os bastidores da chegada da marca ao Brasil, pelas mãos do pilo Ayrton Senna, ganhou o prêmio Jabuti em 2005, categoria Projeto/Produção

** Os coffee table books foram meu objeto de estudo durante o mestrado, quando pesquisei sobre o emprego de contos e crônicas por parte de jornalistas-escritores na elaboração dessas obras, e de doutorado, quando defendi a hipótese de que esses livros são símbolo editorial da “sociedade do espetáculo”. Analisei esse segmento em artigo publicado na revista Livro, editada pela USP, cuja imagem abre este post.

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