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Coffee Table Book: Arte em livro

Por Chico Barbosa

Em O papel do livro de mesa na sociedade do espetáculo, minha tese de doutorado, defendi que o coffee table book (livro de mesa) faz parte de um “sistema de objetos” — valendo-me de uma expressão do filósofo Baudrillard — que pode atuar como dispositivo de reconhecimento sociocultural, desencadeando representações de bom gosto, estilo de vida e interesses culturais, e assim promover, de maneira casual ou intencional, quem o exibe. Se quiser saber mais é só ler este post “Seus livros, seu espelho”. 

Pois bem. Não é menos verdade, porém, que o coffee table book também pode, num outro extremo ser tão-somente um “inocente” recurso material de apreciação (até decorativo..), sem estar ali para ser fonte de informação ou entretenimento a partir de consultas — embora, por entrar em contato com o entorno, ative processos de subjetivação, para me valer de uma expressão mais, digamos, acadêmica. Sua função, então, passa a ser apenas atuar como um objeto com valor estético ou até elevando-se à categoria artística, sobressaindo-se pelo que exibe em termos de atratividade física e performance visual.

Esta reflexão me veio à cabeça depois de ver este belo livro de David Hockney. A Bigger Book, uma para lá de belíssima edição limitada a 9.000 unidades da obra deste pintor que usava e abusava das cores como poucos. Confiram se o livro não é uma verdadeira obra de arte.

OBS:  “O papel do livro de mesa na sociedade do espetáculo” fez parte dos meus estudos de doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), concluído em 2014, com a tese, quando analisei os livros da TASCHEN.

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